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Um consultório no país das maravilhas

Desenvolvido a partir do tema da obra de Lewis Carrol, consultório inova e descontrói imagem tradicional de ambientes médicos

Por Thiago Theodo

No livro Alice no país das maravilhas – sucesso também nos cinemas – algumas frases e ideias de destaque chamam bastante a atenção. Em uma delas, Alice questiona o coelho branco, um dos personagens principais da obra, sobre quanto tempo dura o eterno, e ele responde: “Às vezes, um segundo”.

Fazendo uma alusão à história, esqueça seu conhecimento habitual sobre clínicas e consultórios médicos. Desconstrua, por um segundo, a imagem séria e tradicional de grande parte das instituições de saúde e imagine um local não só agradável e acolhedor, mas também descontraído e irreverente, feito justamente para acomodar seu paciente e realizar consultas. Assim é o consultório da dermatologista Thaís Sakuma, localizado na cidade de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Com um espírito inovador, Thaís transformou a sala de 33,40 m², em um ambiente lúdico, totalmente inspirado na obra de Lewis Carrol. Segundo ela, sua intenção foi a de fazer um consultório temático, em que o paciente se sentisse transportado para um local alegre e agradável. Sobre o tema escolhido, ela revela uma mensagem de motivação e perseverança. “Escolhi a Alice como inspiração porque gosto de uma das ideias transmitidas pelo filme: a de que o impossível sempre é possível. Você deve acreditar, deve sonhar e trabalhar em busca de seus objetivos”, destaca a dermatologista.

Quem tornou esse sonho realidade foi o arquiteto Luis Pedro Scalise. Especializado em arquitetura temática e autor de diversos projetos inusitados, ele fez uso de elementos que constam no livro, planejando tudo com o máximo de cuidado possível para que a decoração do consultório se aproximasse da irrealidade descrita na obra.

Apesar de lúdico e de a temática ser infantil, a intenção de Scalise foi tentar tirar as referências da “Disney” da decoração, transformando a sala em um local interessante e instigante para os adultos que a frequentam. O consultório, acaba, por conseguinte, provocando admiração e encantamento nas crianças, que se mostram muito empolgadas com os artigos decorativos, e também nos adultos que se consultam com a dermatologista.

Até mesmo os colegas de trabalho de Thaís costumam elogiar bastante a irreverência de seu consultório. Todos que frequentam ou veem fotos do local ficam encantados e parabenizam a atitude da dermatologista. “Grande parte deles comenta que a minha atitude foi inovadora; criativa. Costumam dizer que é interessante para o médico sair do ambiente quadrado e fugir um pouco da realidade - que muitas vezes é dura - e sonhar um pouco”, comenta.

O consultório de Thaís já existe há seis anos, porém, toda essa transformação ocorreu há dois, tempo este em que ela já percebe a mudança na relação médico-paciente, o que a deixa bastante segura e satisfeita em relação a sua escolha. “Eu acredito que a transformação de um ambiente frio, gélido e hostil de consultórios médicos para algo mais agradável seja uma tendência. É necessário tirar essa sensação de doença. Tornar o ambiente mais caloroso e amigável é essencial”, afirma. O arquiteto Scalise compartilha da opinião: “São poucos os médicos a que vamos quando estamos bem. A não ser quando vamos fazer alguma consulta de rotina ou se for um médico esteticista, por exemplo. Acredito que, quanto mais estivermos em ambientes diferentes, sem aquela seriedade e aquela frieza toda, melhor”, completa o arquiteto.

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