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Livro sobre qualidade e segurança será lançado

Para quem quer conhecer ou se aprofundar sobre os mecanismos teóricos e práticos para se trabalhar qualidade e segurança em saúde, uma nova publicação chega ao mercado: o livro Qualidade e segurança em saúde: os caminhos da melhoria via Acreditação Internacional - relatos, experiências e práticas, de Heleno Costa Júnior, que por 17 anos esteve à frente da Coordenação de Educação do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), representante exclusivo no Brasil da Joint Commission International (JCI). A publicação será lançada no dia 22 de setembro, às 17h, durante o III Congresso Internacional de Acreditação, no Rio de Janeiro.

Com formação em Enfermagem, especialização em Administração Hospitalar e Acreditação Internacional e mestrado em Avaliação de Sistemas, o autor enfoca não apenas os conceitos de qualidade e segurança, mas especialmente caminhos para chegar a esses objetivos. “Nesta obra utilizo todas as oportunidades práticas que esse legado profissional me proporcionou e as divido com os leitores. É uma iniciativa de constituir não somente referenciais teóricos, que já estão disponíveis em inúmeras publicações sobre o tema, mas, também, de compor um conjunto de vivências e evidências de como as melhorias de qualidade e segurança podem ser efetivamente implementadas”, argumenta.

Em entrevista exclusiva, Heleno Costa Júnior, que atualmente é educador do CBA e gerente do Instituto de Conhecimento, Ensino e Pesquisa do Hospital Samaritano (SP), fala sobre a experiência e sobre o livro (disponível para compra aqui), uma publicação do CBA em parceria com a editora DOC Content.

Como foi esta primeira experiência de reunir conhecimento em um livro?
Foi de fato um desafio. Tinha uma imagem mais “romântica” da tarefa de escrever um livro. Percebi, no entanto, na prática, que é uma responsabilidade muito séria. Eternizar nas páginas de um livro suas ideias, pensamentos e experiência profissional requer muita concentração, dedicação de tempo e um compromisso intelectual gigantesco. Mas, ao vê-lo pronto, todo o esforço compensou. Agora tem toda ansiedade do lançamento.

Quais os principais desafios ao condensar relatos de mais de 15 anos de atuação profissional?
O principal desafio foi definir o ponto de partida, a ponta do fio da temática que queria abordar. Na verdade, 17 anos de atuação somente no CBA já dariam muito mais do que uma única publicação. Deixo isso claro no transcorrer e ao final do conteúdo do livro. Procurei selecionar o que traz informação didática, mas principalmente indicação prática aos leitores. Procuro relatar fatos e experiências para facilitar o entendimento e concretizar a oportunidade de levar aos leitores exemplos de como os padrões internacionais de acreditação, que são desenvolvidos e aplicados no Brasil e no mundo, podem contribuir na melhoria contínua da excelência da qualidade em saúde.

Como buscou discutir questões relativas à qualidade e segurança nessa publicação?
A partir dos meios e métodos que são utilizados na lógica de desenvolvimento da metodologia de acreditação, especialmente os de aplicação internacional. A oportunidade de conhecer, me especializar e trabalhar com a Acreditação por meio de uma empresa internacionalmente reconhecida, como é o caso da JCI, que no Brasil é representada pelo CBA, foi certamente o maior “cartão de visita” de minha vida profissional e o recheio do conteúdo que escrevi. O livro tem a maior parte de seu conteúdo relacionado com a acreditação e os padrões aplicados pela JCI, embora não de forma exclusiva. Os padrões de acreditação são hoje, mundialmente falando e sem sombra de dúvida, a maior e melhor referência para implantação, desenvolvimento e avaliação de qualidade e segurança na área de saúde, pois essa metodologia nasceu e se aprimorou especificamente no ambiente, na linguagem e nas práticas de assistência à pacientes em instituições de saúde.

Os profissionais e estudantes da área de saúde estão preparados para atuar com qualidade e segurança? Quais seus desafios?
Embora muitas iniciativas, como a própria acreditação, estejam sendo cada vez mais utilizadas por entidades, organizações, associações e profissionais, a questão da qualidade e, especialmente, da segurança em saúde ainda tem muito a ser trabalhada e a evoluir. Os dados atuais demonstram resultados preocupantes. A dinâmica e as especificidades complexas dos processos e práticas da assistência impõem muitos desafios diários. Talvez, um dos maiores seja lidar com a consciência e com o comportamento dos profissionais. A necessidade de que tomem plena e completa ciência dos riscos, dos perigos e das consequências de suas atitudes e práticas é o elemento mais complexo da cadeia de melhoria da qualidade e segurança.
Embora a saúde tenha evoluído de forma muito forte nos aspectos dos materiais, equipamentos e da tecnologia em geral, a evolução da formação profissional não acompanhou essa mesma linha. Nas avaliações que conduzimos no programa de acreditação, ainda observa-se uma grande lacuna de conhecimento, de capacitação e de qualificação dos profissionais. Espero mesmo que essa publicação possa auxiliar na redução dessa deficiência, desde a fase de formação inicial, ainda como estudantes, e depois na atuação desses como profissionais nas instituições de saúde.

Qual a contribuição da acreditação internacional JCI para a melhoria da qualidade e segurança?
Posso afirmar que a contribuição da metodologia de acreditação aplicada pelo CBA e pela JCI, é, atualmente, inegável. Ainda necessitamos de estudos mais específicos, mas as próprias instituições têm atestado essa contribuição. Um exemplo é a realidade de que algumas instituições nacionais e internacionais estão alcançando a marca de mais de dez anos de reacreditação de seus serviços. Isso demonstra que conquistaram benefícios com a utilização dos padrões e, portanto, buscam manter a condição de instituições acreditadas. A funcionalidade e objetividade dos padrões, tratando essencialmente da segurança na assistência direta aos pacientes, configuram a melhor oportunidade de implementar uma qualidade de forma consistente e contínua.

O que ainda é preciso ser questionado no campo da qualidade e segurança em saúde?
A melhor questão seria: “algum dia vamos parar de questionar a melhoria da qualidade e segurança no ambiente da assistência em saúde?” Tenho absoluta certeza de que a resposta é não. Ainda existem muitas deficiências, ineficiências e muitas insuficiências. Como citado anteriormente, a dinâmica e a evolução acelerada da prestação de serviços de saúde nos impõe esse desafio. Não será nossa geração, que foi beneficiada, em muito, pelos estudos do Professor Doutor Avedis Donabedian, que verá um sucesso suficiente nessa jornada. Mas podemos ver essa condição do lado positivo, pois assim novos “Donabedians” deverão aparecer. Fico muito feliz em poder fazer parte dessa geração e desse movimento.

Fonte : Consórcio Brasileiro de Acreditação

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